São José do Rio Pardo, ,

20/Fev/2021 - 20:08:27

As quinze ilhas urbanas de São José

Felipe Quessada





Nas inúmeras vezes em que eu e meus filhos navegamos pelo rio Pardo, no trecho entre a Usina Hidrelétrica Euclides da Cunha e a Ilha do Goiaba (Corte de Pedra), uma coisa que vinha passando por despercebido era a quantidade de ilhas existentes nesse trecho.

O rio Pardo é rico em número de ilhas, principalmente em nossa região. Em julho de 2011 catalogamos as quinze ilhas urbanas de São José, novamente, este ano, pretendemos recatalogar todas as existentes em nosso município, tarefa nada fácil, mas vamos enfrentar esse ??sacrifício?, agora contando com o apoio do amigo Daniel Tessari, da empresa Boomerang, que irá fotografar todas as ilhas e suas respectivas peculiaridades. Com isso, estaremos dando continuidade ao Projeto Rio Pardo de Corpo Alma.

Em 2011 ??perdemos? uns dias navegando o trecho urbano e com isso ancoramos nossos barcos em todas as ilhas, que somando às ilhotas, são quinze, das quais duas são bem conhecidas: a Ilha São Pedro e a Ilha das Mangueiras. As outras, em sua maioria, não são frequentadas, não possuem nomes, pelo menos eu não tenho essa informação, e até desconhecidas pela maioria dos rio-pardenses. Para termos referencias sobre as mesmas, atribuímos-lhes nomes, que na verdade só servirá para nossa identificação.

A primeira, rio acima, é uma ilhota coberta por vegetação e com duas árvores, uma delas plantadas por nós no final de 2009. Em poucos minutos que ficamos ali, conseguimos pegar uma carga de carrapatos, que nos aborreceu por vários dias, então atribuímos a ela o nome de Ilha dos Carrapatos.

A segunda, já bem maior, possui inúmeras árvores de pequeno porte e fica bem em frente onde o rio Fartura deságua no rio Pardo, daí Ilha da Fartura.

A terceira está separada da segunda por um pequeno fio de água e abriga em suas árvores centenas de aves, então Ilha das Aves.

A quarta fica após a Ponte Nova e pode ser vista por pedestres que utilizam a utilizam sentido centro bairro Santo Antônio, daí Ilha Nova.

A quinta, também separada da quarta por um pequeno fio de água, possui inúmeros pés de limões, e dos bons, então Ilha Limoeiro.

A sexta é uma ilhota.

A sétima é simplesmente maravilhosa, possui acesso por uma pequena ponte de concreto por meio da área de lazer, conta com árvores enormes mas, infelizmente, ela estava infestada de garrafas pets, em sua maioria de pinga, entre outras bebidas alcoólicas, tocos de cigarros, preservativos (camisinhas), lógico usados, então Ilha do Prazer.

A oitava é a que pode ser vista da Ponte Euclides da Cunha, ela fica antes da Ilha São Pedro, está habitada por dezenas de macacos, então Ilha dos Macacos.

A nona é a ??Quinta Maravilha? de nossa cidade, a charmosa Ilha São Pedro.

Três ilhas podem ser vistas da Ponte Pênsil da Ilha São Pedro, bem como de uma parte do bairro João de Souza. Possuem poucas vegetações e árvores de porte médio. Elas são frequentadas, em boa parte do ano, por milhares de garças, que com suas fezes comprometem consideravelmente o crescimento das vegetações e de novas árvores.

A décima é a maior delas, mesmo na época da seca. Ela é separada por pequenos fios de água e rodeada de muitas pedras, ficando quase impossível de chegar até ela de barco, por isso Ilha das Pedras.

A décima primeira, além de também ser rodeada de muitas pedras, possui em sua volta uma corredeira. Considero o local mais difícil e perigoso para se navegar, por isso o nome: Ilha da Corredeira.

A décima segunda, quando as garças voltam da migração, fica parecendo uma árvore de natal enfeitada. São milhares delas ocupando o pouco espaço oferecido pelas pequenas árvores, por isso Ilha das Garças.

A décima terceira é uma das maiores entre as quinze ilhas. Árvores e capivaras não faltam, além de bem cuidada e possuir um pequeno rancho feito em alvenaria, equipado com fogão a lenha e três camas. Nas portas não há chaves nem trancas, fica tudo escancarado, em sua entrada está fixada uma placa ??Rancho da Hora?. Então, Ilha da Hora.

A décima quarta também é grande. Fica à direita de quem sobe o rio. O canal de água que a separa da margem é estreito e as árvores dela como da margem acabam se encontrando, fazendo com que fique escondida. Fora batizada como Ilha Escondida.

A décima quinta e última é a conhecida, porém, atualmente esquecida Ilha das Mangueiras, local em que existia uma edificação em alvenaria, com cozinha, banheiros e um enorme salão de festa, era ligada à margem direita do rio Pardo por uma pequena ponte. Nos anos setenta, aos sábados e domingos, eu ia nadar na minha piscina ??particular?. O rio Pardo, e a bonita ilha recebia rotarianos com seus familiares que festejavam o dia todo. Hoje ainda bela e imponente, já não recebe mais ninguém, boa parte do braço do rio está assoreado e assim os mais jovens não sabem que aquele pedaço de terra tomado por centenas de árvores em sua grande maioria mangueiras foi uma importante ilha. O prédio e a ponte foram levados pelas águas da enchente de 19 de janeiro de 1977, deixando apenas algumas paredes e pisos.


Galeria de foto

O Riopardo - 2020/2025 - Todos direitos reservados