São José do Rio Pardo, ,

27/Fev/2021 - 22:11:20

São José

Maria Esméria do Amaral Mesquita




COM CORA??O DE PAI: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como "o filho de José" (Lc 4, 22; Jo 6, 42; cf. Mt 13, 55; Mc 6,3).

Os dois evangelistas que puseram mais em destaque a figura de José, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o tipo de pai que ele era e a missão que a Providência lhe confiou.

Sabemos que era um humilde carpinteiro (Mt 13,55), esposo de Maria (Mt 1, 18; Lc 1, 270); um homem "justo" (Mt 1,19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada em sua Lei (Lc 2, 22.27.39) e por meio de quatro sonhos (Mt 1,20; 2, 13.19.22). Depois de uma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer em um estábulo, "porque não havia lugar para eles na estrebaria" (Lc 2, 7). Foi testemunha da adoração dos pastores (Lc 2, 8-20) e dos Magos (Mt 2, 1-12), que representavam respectivamente o povo de Israel e os povos pagãos.

 

José teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: "tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele salvará o povo de seus pecados" (Mt 1, 21). Entre os povos antigos, como se sabe, dar o nome a uma pessoa ou a uma coisa significa atribuir-lhe um título de pertença, como fez Adão na narrativa Genesis (2, 19-20).

No Templo, 40 dias depois do nascimento, José, junto com Maria - ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e sua Mãe (Lc2, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito. Regressado à pátria, viveu no interior da pequena e ignorada cidade de Nazaré, na Galileia - da qual se dizia "não surge profeta", nem "pode sair algo de bom" - longe de Belém, sua cidade natal e de Jerusalém, onde se erguia o Templo. Foi precisamente durante uma peregrinação a Jerusalém que perderam Jesus (quando tinha 12 anos) e José e Maria, angustiados, andaram à sua procura, acabando por encontra-lo 3 dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei.

Depois de Maria, a Mãe de Jesus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo. Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais seu papel central: na Pio IX declarou-o "Padroeiro da Igreja Católica"; o Venerável Pio XII apresentou-o como "Padroeiro dos Operários"; e São João Paulo II, como "Guardião do Redentor". O povo invoca-o como "padroeiro da boa morte".

 Assim, ao completarem-se 150 anos da sua declaração como Padroeiro Universal da Igreja, feita pelo Beato Pio IX no dia 8 de dezembro de 1870, gostaria de deixar, como disse Jesus, "a boca falar daquilo que o coração transborda" (MT 12, 34) para partilhar convosco algumas reflexões sobre esta figura tão extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós. Este desejo foi crescendo durante estes meses de pandemia em que pudemos experimentar, no meio da crise que nos afeta, que as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nos palcos do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, escrevendo os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, cuidadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos outros - muitos mesmo - que compreenderam que ninguém se salva sozinho.(...) Quantas pessoas diariamente exercitam a paciência e infundem esperança, tendo como objetivo não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs, avós e professores mostram a nossas crianças com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar a crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se sacrificam e intercedem pelo bem de todos!" Todos podem encontrar em São José - o homem que passa despercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida - um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade. São José faz recordar que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão.

 

(Papa Francisco, introdução da Carta Apostólica "Patris Corde")


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