São José do Rio Pardo, ,

06/Mar/2021 - 22:33:42

Só fumo de corda na represa de Miguelópolis

Felipe Quessada





A represa de Miguelópolis é uma das mais piscosas do rio Grande e famosa por seus tucunarés azuis. Os tucunarés de lá são famosos por atingirem bom tamanho e peso. Fica na divisa de São Paulo com Minas Gerais, emoldurada por paisagem exuberante - formada basicamente por florestas, pastagens e áreas de condomínios residenciais. Suas águas invadiram extensas áreas de florestas, formando verdadeiro bosques submersos, o que requer muito cuidado durante a navegação.

Outro aspecto a ser ressaltado é a influência dos ventos na formação de ondas na represa, nesse caso, o correto é procurar as grotas protegidas para realizar a pescaria sem problemas e navegar com o máximo de cautela.

A represa tem água límpida na maior parte do ano e abriga locais pitorescos como o Pantanalzinho, uma área alagada com densa vegetação aquática, que serve de berçário e criadouro natural de tucunarés e onde a pesca é proibida durante certo período do ano.

Abaixo da barragem existe também outra ótima opção para pescadores, que é menos explorada e portanto muito mais piscosa que acima da barragem. E foi lá que Ejalmas Buzato Custótio, Celso Cartalano, Cido e Tiago Mazer, Bosco e Rafael Mandoni, Lopes e Maurício (do açougue) estiveram em 1999, curtindo férias por cinco dias e fisgando graúdos "bocudos".

 

S? FUMO

 Tomando consciência que o fumo é prejudicial à saúde, Edjalmas - que além de ser pescador fanático é também mecânico de motores de popa (e dos bons) - abandonou o vício e acabou ganhando alguns quilinhos. Porém, nesta pescaria ele ainda dava bons tragos e, para tentar espantar os mosquitos, ele pitava cigarros de palha, levando sempre em sua capanga palha, fumo de corda e um afiado canivete. No quarto dia de pescaria, fazia sol e os peixes não paravam de comer nos anzóis. Já haviam fisgado algumas curvinas, tucunarés e um "criado" lambari de 4,5 quilos. Foi então que Edjalmas começou a confeccionar seu cigarrinho de palha, picando o fumo bem fininho, igual a rapé, e sempre jogando uma parte na água. Não demorou 10 minutos e os peixes começaram a subir à flor da água, respirando o rapé jogado. Alguns segundos depois começaram a fazer barulho de espirros, muitos espirros... Foi aí que Celso e Bosco entraram em cena. Os peixes estavam colocando as cabeças para fora da água e olhando o sol para espirrar. Chamaram o Maurício, que ficou pasmo, com a cara de bocó, não acreditando no que estava vendo. Pagaram um remo e começaram a acertar as cabeças dos tucunarés maiores. E assim foi até encherem o barco.

Edjalmas levava até há poucos dias em sua tralha de pesca alguns quilos do milagroso fumo de corda. Hoje, pela força do destino, o meu querido amigo já não está conosco, deve estar ao lado do Grande Arquiteto do Universo, contando suas centenas de histórias de pescador...


Galeria de foto

O Riopardo - 2020/2025 - Todos direitos reservados