São José do Rio Pardo, ,

13/Mar/2021 - 22:35:36

A linguiça apimentada do Dito

Felipe Quessada




Há muitos locais para se fazer uma boa pescaria de Tucunarés, uns distantes, outros bem mais próximos, de acesso menos dispendioso, pertinho (?) daqui, no Estado de Minas Gerais. Um bom exemplo é o Lago de Furnas. São 200 quilômetros de boas rodovias, sem nenhum pedágio, a partir de São José do Rio Pardo.

Benedito e Lucio Ratz, Francisco Caputo Lancellotti, Wilson Ferracciolli, Fernando Bigardi (eletricista), Mário Rui, eu, Bandido e o dono do rancho, o simpático e gozador Gordinho, estivemos lá por quatro dias, no último final de semana.

AJOELHOU, TEM QUE EMBARCAR

A pesca do Tucunaré é altamente esportiva e exige braço do pescador. São centenas e centenas de arremessos e outros tantos esforços extras para tirar esses peixes briguentos da água. Mas o proprietário do rancho, o Gordinho, deu uma sugestão tentadora: pescar com uma vara grossa, que por sinal o Mário que me emprestou, isca artificial (garatéia) e deixar de espera; e o local apropriado seria no meio do paliteiro, que, segundo ele, o local era, antigamente, um grande mandiocal.    Fiquei alucinado com a ideia de poder fisgar um graúdo Tucunaré sem ter o trabalho de ficar arremessando, e aproveitando para, enquanto todos lançam suas iscas na água, cantar, assoviar e degustar umas geladas.

Passava das 7h00 quando eu, Fernando e Dito embarcamos e partimos, silenciosamente, utilizando um potente motor de popa de 28 Hp. Dito, constantemente me lembrava que, se fisgasse um Tucunaré dos bons, teria que ajoelhar-me no barco para poder tirá-lo da água.

Quase lá pelas 11h00, um ??Tucunaré? deu o primeiro puxão. Caí de joelhos no estrado do barco e dei início a uma luta de titãs. Eu, de um lado, e o graúdo peixe na ponta da linha.

E nesse jogo bruto, eu sugeri de tudo para os meus companheiros: ??a vara é muito grossa; pega o bicheiro; rema o barco; façam o que quiserem senão  vou para dentro d´água com ele...? Mas nada resolvia, porque ele fez a vara arrebentar no meio, levando tudo com ele. E lá fiquei, ajoelhado, desconsolado e com a metade da vara nas mãos ?? afinal, mais vale uma vara quebrada nas mãos do que duas inteiras guardadas no rancho. Passadas algumas horas, o Fernando deu uma bela fisgada e foi recolhendo: surpresa, era o meu equipamento e, com ele, uma graúda mandioca.

A LINGUI?A DO DITO

Dito é fissurado em linguiça, principalmente acompanhada de uma macia mandioca e uma boa cachaça. Nessa viagem, ele encomendou vários quilos de linguiça.

Com o intuito de sacanear os companheiros de pesca, levou também um quilo de uma carregadíssima na pimenta.

No sábado o frio chegou, o tempo mudou, o vento assoprou e o Campari acabou, então o negócio foi ficar no rancho. Dito instigou os companheiros a saborear sua linguiça, obviamente a que mandava fogo de tanta pimenta.

Wilson não estava nem aí pra coisa, curtia tudo; rapidamente devorou uma boa quantidade do gostoso tira-gosto e aproveitou para provocar os companheiros que estavam de bico seco. A noite foi uma maravilha, até o momento em que o Wilson precisou ir ao banheiro. Aí a coisa complicou. Os companheiros foram acordados com os urros que o Wilson emitia, acompanhados de palavrões: ??Você me paga, Ditinho! Vou arrancar todos os fios do seu bigodinho! A sua maldita linguiça me espatifou! Eu acho que tenho problemas de hemorróidas! Como vou conseguir sentar no barco pra pescar, se mal estou conseguindo andar?!?

CELULAR BOM DE PEGA

Há alguns meses, essa mesma turma esteve pescando no mesmo local. No último dia de pescaria, após recolher toda a tralha, o Francisco foi banhar-se na represa para, depois, encarar a estrada de volta. Deixou seu pequeno e possante celular sobre a areia da prainha e só sentiu sua falta quando chegou a São José, quando lamentou seu esquecimento, pois nele estavam inúmeras fotos da aventura.

Já nessa pescaria, na sexta-feira, Francisco matou a vontade de fisgar Tucunarés, soltando quase todos. Ao entardecer, ao chegar ao rancho, pediu para seu companheiro de barco, o Mário, que procedesse à limpeza de um graúdo, que ele considerou o ??seu troféu?. Mário abriu uma bonita maleta, vestiu um avental branco, luvas plásticas e começou a operação. E enquanto limpava aquele Bocudo, o seu bisturi tocou algo sólido. Francisco foi intimado a abandonar o banho para conferir o achado: o seu telefone celular, perdido meses antes, funcionando perfeitamente na barriga do peixe.

São essas pequenas coisas que fazem a diferença. São histórias que acabam marcando positivamente e unindo ainda mais os companheiros de pesca.



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