São José do Rio Pardo, ,

20/Mar/2021 - 20:42:13

São José na imprensa de 1921

Maria Olívia Garcia




Mais um aniversário da cidade sem comemorações presenciais... Mais um ano sem a quermesse na praça, mais uma Semana Santa sem as igrejas lotadas, mais uma Páscoa sem reunir a família toda. Nada fácil. Mas a vida é agora, então o que temos é a possibilidade de vivê-la bem, mesmo neste confinamento domiciliar, em aulas on-line, home-office e compras no modo delivery ou drive-thru (e o inglês dominando nosso vocabulário!).

Vacinas... quando chegarão a nós? Nesse ritmo de vacinação do Brasil, talvez ajudemos a criar cepas cada vez mais resistentes, isto sim! Não bastasse a falta delas, países da União Europeia estão desistindo da vacina Oxford-Astrazenica devido aos casos de trombose em algumas pessoas...  Adivinhem o destino dessas vacinas rejeitadas! Sinto-me inserida no texto de Medo Líquido, de Bauman: nunca se sabe de onde vem a próxima ameaça!

Mas é aniversário da cidade, vamos rever um pouco de História nas notícias publicadas sobre São José do Rio Pardo há um século, pois talvez haja descendentes das pessoas mencionadas nelas.

 

No Correio Paulistano de 5 de janeiro de 1921, saiu a prorrogação de prazo para a posse do Delegado de Polícia que viria para este local, dr. Pedro Rodrigues de Almeida, cuja posse foi prorrogada por vinte dias.

No mesmo jornal, em 9 de janeiro daquele ano, era publicada a nomeação de d. Escolástica Pinto, para a escola feminina rural do Vila Bela, nesta cidade. Não sabia da existência de escolas femininas na zona rural, muito menos onde fica Vila Bela! Se alguém tiver mais informações a respeito, agradeço se me enviar.

Em 8 de fevereiro de 1921, saiu em A Gazeta a nomeação do sr. Ernani de Almeida Guimarães para o cargo de coletor federal em São José do Rio Pardo, exonerando do cargo Cláudio Ribeiro da Silva.

Ainda no Correio Paulistano do dia 5 de maio, sob o título de Instrução Pública, a notícia de um professor que foi diretor do grupo escolar desta cidade e havia sido, então, nomeado para o cargo de Diretor Geral da Instrução Pública, o sr. Guilherme Kuhlmann. Nascido em 1884, formado normalista em 1906, entrou em exercício em 1907, na regência de uma escola isolada em Bebedouro, passando depois a adjunto do grupo escolar de Jaboticabal, por um mês; a diretor do grupo escolar de São José do Rio Pardo, por quatro anos; a inspetor escolar por sete anos e diretor em comissão da Escola Normal de Botucatu, antes de chegar a Delegado Regional de Ensino e Diretor Geral da Instrução Pública.

Nesse mesmo jornal, em 18 de setembro de 1921, sai publicada a nomeação de uma comissão médica para inspecionar, na Diretoria Geral da Instrução Pública, no dia 22 daquele mês, a professora d. Maria Raggio Nóbrega, adjunta do grupo escolar de São José do Rio Pardo, mas não há informação se era para ingresso na carreira, licença-saúde ou aposentadoria. 

O jornal A Gazeta, de 18 de abril de 1921, traz uma notícia a respeito do Serviço Funerário, a partir de um questionamento levantado quando a Santa Casa de São Paulo solicitara à Câmara Municipal daquela cidade a prorrogação do contrato de serviço funerário, o que dispensaria a concorrência pública.

O problema maior nessa solicitação, e que consta da resposta da Câmara, é que a Santa Casa realizava esse serviço através de terceiros, de quem recebia uma taxa e a quem obrigava fornecer gratuitamente caixões e carros para enterros de indigentes.

Na resposta, cita-se a Lei Orgânica Municipal, segundo a qual só se podia conceder privilégio para as estradas dentro do município, ou para obras e serviços que demandassem grandes capitais e, como o serviço funerário não entrava nessa lei, não poderia ser atendida aquela solicitação de prorrogação de contrato. Para exemplificar, é citado o caso de São José do Rio Pardo, cuja Câmara Municipal havia feito algo semelhante, porém o caso fora solucionado pelo Tribunal de Justiça, que estabelecera a proibição do privilégio a serviços funerários, pois "nem mesmo com fundamento na Lei Orgânica o monopólio podia ser concedido, porque a Constituição Federal garante a liberdade de trabalho, indústria e comércio, conforme acórdão de 29 de janeiro de 1910".

Inusitada é a correspondência ao editor da revista Chácaras e Quintais, de 15 de abril de 1921, à página 56: "O papel do lírio do brejo", assinado por J.S.L., propondo-se a vender toneladas dessa planta para a fabricação de papel, uma vez que lera nessa mesma revista, em agosto de 1919, sobre a fábrica de Morretes, a Paraná Paper Company, que fabricava 8 toneladas diárias de papel, tendo como matéria-prima esse lírio.

J.S.L. arremata: "A fábrica que queira pôr em prática me faça o pedido de algumas toneladas, em estado verde, que é sempre o preferível, estando disposto a prestar o meu concurso como fornecedor de limitadas toneladas, mensalmente, desta preciosa planta, fornecedora de excelente papel". Quem seria esse J.S.L.?

 

Com o resgate dessas memórias, desejo que os rio-pardenses tenham a esperança de que anos melhores virão e que se conscientizem da importância dos cuidados de cada um com o uso correto de máscara e higiene das mãos e objetos, para que não tenhamos, como no Leste Europeu, uma terceira onda dessa pandemia devastadora!


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