São José do Rio Pardo, ,

05/Jun/2021 - 21:50:26

Bate Bola, 05 de Junho de 2021

Redação




Em março de 2020, começou neste espaço singela homenagem mensal ao saudoso Sérgio Ribeiro (foto), pelos 15 anos de seu falecimento. Nascido em São José do Rio Pardo em 1929, foi radialista, policial civil, advogado, professor, jornalista esportivo e político, dentre outras atividades. Não há livro acerca deste ilustre rio-pardense, mas sua biografia poderia inspirar muitas obras. Adequando aos assuntos atuais, a seguir mais uma crônica com os personagens criados pelo ícone Sérgio Ribeiro: o "Conselheiro Carmichael" e a provocante (e inominada) "garota dos olhos amendoados"...

 TORCIDA AMIGA

Torcida amiga, carinhosamente bom dia!

 Aqui quem escreve é o "Conselheiro Carmichael". Felizmente chegou o primeiro sábado do mês, data esperada para o encontro matinal com minha linda "garota dos olhos amendoados". Sem nos encontramos na tradicional mesinha nos fundos daquele barzinho no centro da cidade, por meio do aplicativo WhatsApp de minha residência a vejo toda bela: com cabelo solto, deitada na poltrona do sofá da sua casa, trajando calça legging preta e camisete xadrez, afinal, está iniciando mais um mês junino, mas distante ainda daqueles junhos de quermesse, terços, quadrilhas etc. Convido-a para irmos no Recanto Euclidiano, com todas cautelas e medidas protetivas...e minha musa aceitou!

A pandemia parece não ter fim. Embora já existam vacinas - inclusive este "Conselheiro Carmichael" já levou a primeira picada - não se sabe quando tempo dura a imunidade que elas oferecem e até mesmo se as tais novas variantes do vírus serão resistentes. A Covid-19 se uniu ao grupo de históricos surtos que afetaram a saúde global ao longo do tempo, como a peste negra, a varíola, febre amarela, gripe de 1918 e outras pragas.

Chegamos praticamente juntos no mausoléu e herma Euclides da Cunha. Sem abraços e nem o esperado beijo no rosto, sentamos na escadaria próxima do rio Pardo, ao som da leve correnteza. Vimos que árvores nativas estavam sendo plantadas na orla, próximo da Área de Lazer, respeitados os protocolos de distanciamento. Estudiosa, minha "linda garota dos olhos amendoados" lembra que hoje, 5 de junho, desde 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou como o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data serve como alerta à sociedade sobre os perigos de negligenciarmos a tarefa de cuidar do mundo em que vivemos. Recordo frase do escritor, ativista, político e advogado indiano Mahatma Gandhi: "cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome".

 

Aí vieram as esportivas. O São Paulo conquistou no último dia 23 o seu 22º campeonato paulista: mais raçudo em campo com a chegada do treinador argentino Hernán Crespo, o tricolor saiu da fila pois não vencia o Paulistão desde 2005 e seu último título foi a Copa Sul-Americana de 2012. Santos e Corinthians demonstram que terão um 2021 bem difícil: os dois grandes estão desastrosos neste início de temporada, com times pífios. Já o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil e da Libertadores, nas três últimas recentes finais que disputou foi vice: mas segue com grande esquadrão.

 

Ouçamos uma ensurdecedora motocicleta, que estaciona na Avenida Euclides da Cunha: é o delivery. Entregou nossos petiscos: porção dupla de batata frita e cebola outback, suco de pêssego Del Valle e cerveja Heineken. Enquanto degustávamos, uma moça, com minissaia, atravessava a pé a histórica ponte metálica, que mês passado completou 120 anos. Talvez por ciúmes, minha "linda garota dos olhos amendoados" franziu a testa. Este "Conselheiro Carmichael" então contou algumas passagens que fizeram história na cidade.

 

"Tábua Lascada", "Salão Bandeirantes", Paraíso dos Inocentes" e "Casa da Clarinda" foram alguns locais de diversão dos marmanjões. Mas hoje vou lembrar do "Palácio da Naná", como contou o eterno historiador rio-pardense Rodolpho José Del Guerra em um dos seus livros. Escreveu romance sobre a chegada das primeiras oito prostitutas, com nomes de flores, que seriam hóspedes do rico prostíbulo mantido por coronéis e dirigida pela experiente Naná. A imaginação do escritor começou em 1899, quando as belas garotas chegaram no trem da madrugada e causou alvoroço. A "casa" tinha piano, lustres, pinturas à óleo e aquarelas, esculturas, louças e cristais. As raparigas deram mais vida a cidadezinha de poucos habitantes lá pelos anos de 1900. Consta, no romance, que o filho de um dos coronéis se apaixonou por uma das beldades de nome Camélia. Mas em 1903 com a chegada da febre amarela, o estado de penúria da população era assustador, quando então as meretrizes fugiram. Há quem diga que as raparigas eram altamente pagas com joias valiosas e ganhavam até sabonete Phebo, raridade na época. Como dizia, no passado, o apresentador do campeoníssimo de audiência "Plantão de Polícia" na saudosa rádio Difusora AM: "isto é a baba do quiabo!".

 

Pontofinalizando, despeço-me da charmosa "garota dos olhos amendoados" com palavras de carinho, eis que sábado que vem, dia 12, é a data comemorativa do dia dos namorados: que saudade dos aconchegantes bailes dançantes que o Rotary organizava. Rumamos para nossas moradias, onde vamos hibernar neste restante de fim de semana, eis que para este domingo a Prefeitura decretou novo lockdown. Despeço-me de minha musa, sem o esperado beijo no rosto e, ao modo do novo normal, fechando os dedos da mão a cumprimento, que retribui com seus delicados dedos com unhas esmaltadas de lilás. Se o Grande Arquiteto do Universo assim nos permitir, nosso novo encontro está agendado: próximo dia 3, primeiro sábado de julho. Quiçá olhos nos olhos!


Estádio Moacyr de Ávila Ribeiro, na Associação Atlética Riopardense (AAR), recebendo enorme público. Além do torneio de futebol, nos domingos haviam música ao vivo e o esperado concurso de miss.  Não identificada na foto, a candidata representando o time da fazenda São João na década de 1980.

 


Santa Helena, em 1982, no Torneio Sérgio Ribeiro no estádio Moacyr de Ávila Ribeiro, na Associação Atlética Riopardense (AAR): Catita, Cido Pardal, Edson, Valdeci Serra, Edson, Virsão, Zé Afonso, Fernando, Lauro e Sérgio Ribeiro. Agachados, também da esquerda para a direita: Paulinho, Joãozinho, Wil Salotti, Fernando Salotti, Pity, Mané e Renatinho


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