São José do Rio Pardo, ,

03/Jul/2021 - 20:10:17

Professores pandêmicos: vivências educacionais remotas

Redação

MARCOS CELESTE




Assim que começou a Pandemia acreditávamos que em abril e maio de 2020 tudo estaria normal com as aulas e que o máximo de problema seriam as reposições nas férias.

Depois de alguns dias de março e mais uns tantos de abril percebemos que o apocalipse veio para ficar um tempo. Sono no ralo e dúvidas aos montes. Como seriam as aulas? As redes de ensino pública dariam conta do recado?

Sim, temos ensino remoto, anunciavam as secretarias de educação. O Ministro da Educação, ocupado, não pôde focar no assunto (preocupado com a imunidade de rebanho?).

Em maio a luta começou. Novos e-mails, mil senhas, um milhão de grupos no WhatsApp. Mas o melhor foram as plataformas com suas atualizações na calada da noite que exigiam de nós um complexo jogo de adivinhações de comandos. 

Em tempo! Plataforma é irmã de consideração dos termos comorbidade e aglomeração. Ambos se fizeram presentes no mundo do Covid. Falar "entra na plataforma para começar a aula" é tão esquisito quanto "passei do bar e vi uma aglomeração na entrada" e substituíram os aconchegantes "vou entrar em sala de aula" e "aquele lugar estava cheio de gente".

 E é entrando nas duras e eletrônicas plataformas que vamos tocando a vida, as aulas, as nossas classes, as escolas e o ensino no Brasil. Temos professores preparando apresentações maravilhosas em slides. Investindo seus salários em aparelhos para tornar as aulas remotas interativas. Fazendo cursos, motivando os alunos a entrarem na sala de aula, trabalhando fora do seu turno para trazer o máximo possível de crianças, adolescentes, jovens e adultos para as plataformas.

? verdade que o processo de aprendizagem dos envolvidos na educação, sobretudo dos estudantes, ficou prejudicado, mas não por falha das plataformas, dos professores ou das unidades educacionais. A falha aqui é estrutural e tem por nome desigualdade social.

O mundo das redes sociais e das plataformas educacionais não são indiferentes às desigualdades sociais. Quem tem celular e notebook com boa conexão em casa leva mais vantagem do que quem tem apenas um celular com chip pré-pago. Não há esforço e mérito que supere isto do ponto de vista coletivo. Exceções não explicam a regra.

? um drama indicar um documentário na Netflix e lembrar na hora quem nem todas as famílias possuem 22 reais para a sua assinatura.

Professores, estudantes e toda a rede escolar provaram que a inteligência dos programas de computador pode ser controlada por cada um de nós. Um salve! Nos unimos e não ficamos pandêmicos diante das mudanças anunciadas.

Mas isso é insuficiente enquanto não nos comprometermos intelectualmente e politicamente na luta contra as desigualdades sociais que assolam nossos estudantes e escolas.

E ai? Vamos continuar pandêmicos diante da necessidade de mudança que se avizinha?   


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