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10/Jul/2021 - 21:34:56
Inatividade física e comportamento sedentário em tempos de pandemia
RedaçãoCARLOS HENRIQUE PREVITAL FILENI
Diante do cenário nacional e mundial uma das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) é o distanciamento social, porém, alguns transtornos são inevitáveis, e os efeitos da quarentena nos seres humanos que enfrentam uma crise geralmente experimentam uma gama de emoções negativas e comportamentos sedentários.
O comportamento sedentário e o rápido crescimento de legiões de videogames, mídias sociais e viciados em streaming de filmes são uma consequência da urbanização sustentada e sistêmica em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, incluindo o Brasil, onde 40,3% da população não faz nem os níveis mínimos de atividades aeróbias recomendados pelas Diretrizes de Atividade Física. Esse aumento no comportamento sedentário é visto como um importante fator de risco para uma série de doenças crônicas reconhecidas pela OMS.
Reduzir a obesidade em crianças também pode reduzir o risco de desenvolver dor musculoesquelética mais tarde na vida. Um dos principais fatores que contribuem para a epidemia de obesidade é a falta de exercícios físicos na população, com muitas pessoas levando um estilo de vida cada vez mais sedentário.
Da mesma forma, as dietas não saudáveis são um problema comum, devido à pronta disponibilidade de uma variedade e quantidade desconcertantes de fast food, refeições prontas e a propaganda implacável desses produtos. O baixo valor nutricional e o alto teor calórico desses alimentos contribuem ainda mais para a epidemia de obesidade. Eles também podem desempenhar um papel na alta prevalência de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, que são exacerbadas pela falta de condicionamento físico e pela inatividade.
O aumento da atividade física e a otimização dos exercícios são vistos como uma forma ideal de melhorar a saúde musculoesquelética. De acordo com o IBGE, em 2019, 30,1% dos brasileiros praticaram o nível recomendado de atividade física no lazer. O exercício físico melhora o desempenho muscular, aumentando a proporção das fibras musculares do tipo I para as do tipo II e aumentando a área da seção transversal das fibras musculares do tipo II. O risco de fratura por fragilidade, associado à um programa de exercícios, pode ser reduzido, pois o exercício aumenta a densidade óssea e reduz os marcadores inflamatórios.
Além dos benefícios para a saúde musculoesquelética, melhorias na aptidão cardiorrespiratória podem ser alcançadas como uma "simples" caminhada realizada todos os dias, mudando o comportamento sedentário para alcançar uma atividade física de baixa intensidade. Além disso, em pacientes com osteo artrite de joelho, a melhora da função locomotora, incluindo equilíbrio e força, e uma redução da dor são observadas após um programa de exercícios físicos em ambientes propícios a prática.
Diante dos fatos expostos conclui-se que a prática de exercícios físicos são fundamentais para a saúde física e mental em tempos de pandemia, lembrando que o ideal é procurar um profissional de educação física para elaborar um programa de exercícios de acordo com a individualidade biológica e objetivo do indivíduo.
Carlos Henrique Prevital Fileni, mestre em Ciências do Movimento Humano