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24/Jul/2021 - 22:06:05
Eu X COVID-19
Maria Olívia Garcia
Desde o início dessa loucura toda nós nos cruzamos, mas ele
não me pegava... Foi anunciada a pandemia, fecharam-se os locais públicos,
proibiram aglomerações... e nós em Salvador, tendo que enfrentar a viagem de
volta, em avião lotado e aeroporto idem. Aliás, as viagens não pararam,
tínhamos algumas marcadas, outras muitas foram para ver a neta que nasceu em
julho de 2020, outras ainda necessárias... Até me arrisquei a publicar um guia
de como fazer isso com segurança, para evitar a contaminação!
O tempo foi passando, os cuidados continuaram os mesmos, porém creio que o número de pessoas infectadas foi aumentando demais e passamos a correr riscos a todo instante. Uma ida a cabeleireira, manicure ou a qualquer lugar em que se tenha proximidade com outra pessoa passou a ser de maior risco, mas não percebemos isso.
No dia 5 deste mês entrei em casa à tardinha, com o corpo quente, suado, e tive um choque com o frio que senti logo ao entrar. Já percebi que algo havia ocorrido em mim. Socorri-me de um banho e um café bem quentes, para ver se melhorava a sensação, mas o que houve foi surgir uma febre e um calafrio horrível, que permaneceram a noite toda. No dia seguinte corri ao consultório do Dr. Adalberto, que me receitou medicamentos. Não me contentei, fui fazer o teste de Covid-19 na farmácia: positivo! Fui, finalmente, após tanto tempo de cuidado máximo, pega por essa praga...
Terceiro dia: a cabeleireira onde eu havia ido cinco dias antes mandou-me mensagem de que estava com Covid... Como dificilmente eu havia ficado próxima de outra pessoa além dela, creio que essa foi a origem de tudo.
Sexta-feira, feriado. A febre não passava e comecei a sentir uma ligeira pressão ao respirar. Calafrios intermináveis, até meus ossos gelavam. Mais parecia malária, febre amarela, sei lá... Falei com meu sobrinho, agora dr. José Garcia Neto, que veio me ver e só ouvi: "Tia, melhor internar para não complicar". Nem discuti, estava apavorada. Lembrei de amigos que se foram, de tudo que já vira na mídia e só uma coisa ficava martelando na mente: "O momento exato é o mais importante".
Fui ao Pronto Socorro do SAVISA, onde fui muito bem atendida e agradeço, além do meu sobrinho, à plantonista daquela noite, Drª Thaís. Passei pela tomografia, 20% dos pulmões estavam tomados, daí a pressão que sentia, eu creio. Ou talvez fosse pânico, mesmo!
A entrada foi um susto: é preciso ir na cadeira de rodas, não podemos levar NADA, além dos produtos básicos de higiene pessoal. Nem bolsa, nem pijamas, nem nada, para evitar contaminação. Nunca me vi com tão pouco! ? preciso usar a camisola de lá, então é preciso urgente fazermos uma campanha para conseguir camisolas mais quentes para a ala de Covid-19! Estava muito frio, naquela noite dormi de calças jeans.
Dividi o quarto com a Sueli (que não conhecia), que lá estava há dois meses e já havia passado pela UTI. Ela, bem mais nova que eu, perdera totalmente as forças nas pernas, precisava de quem a trocasse, desse banho, etc. Fiquei mais apavorada ainda com as perspectivas possíveis!
Ali permaneci por dois dias, sob os cuidados do Dr. Adalberto, a quem agradeço muito. Mesmo depois de voltar para casa ainda tive febre por mais dois dias, continuei com injeções de antibiótico por 10 dias, mais Decadron. As injeções são dadas apenas no PPA Central (onde fui pela primeira vez e gostei muito do atendimento) e, aos finais de semana, no Pronto Socorro do Hospital.
Graças a Deus fiquei ótima, passou, já estou liberada! Mas acredito, por tudo que tenho lido a respeito, que não foi apenas a Coronavac que atenuou os problemas e, sim, o fato de haver feito tudo no momento certo. Por isso decidi fazer este relato, para que se algum de vocês, leitores, tiver qualquer sintoma, não hesite em procurar imediatamente o seu médico ou o Pronto Socorro, pois quem está à frente dessa batalha aqui nesta cidade está apto a fazer com que ela seja breve, no entanto a colaboração do paciente em não deixar passar o momento certo é imprescindível.
Cuidem-se muito e, principalmente, evitem aproximações, mesmo com máscaras. Não façam o que vi neste domingo à tarde: pessoas aglomeradas em portas de sorveterias, todas sem máscaras, assim como na Praça XV de Novembro. Vamos colaborar para que haja uma luz no final deste percurso!