São José do Rio Pardo, ,

07/Ago/2021 - 21:43:25

História do Cura D Ars

Maria Esméria do Amaral Mesquita




João Maria Batista Vianney nasceu no dia 8 de maio de 1786 , no vilarejo de Dardilly, ao norte da cidade de Lyon, na França. Filho de Mateus e Maria, foi o quarto de sete irmãos. Desde a infância manifestou seu espírito de piedade. Gostava da oração e de ir à igreja. Vivia dizendo que queria ser padre. Teve que trabalhar duro no campo até a juventude, para ajudar a sustentar a família. Somente quando ele estava na adolescência é que foi aberta uma escola em sua aldeia e ele pode, então, ser alfabetizado e aprender a língua francesa, pois falava apenas o dialeto local. Mesmo assim, estudou apenas dois anos.

Dificuldades
Quando o jovem João Maria Vianney manifestou o desejo de ser padre, encontrou grande oposição por parte de seu pai. Somente com a ajuda do pároco que atendia sua aldeia é que ele conseguiu. Já tinha vinte anos quando ingressou no seminário de ?cully. No seminário o jovem encontrou mais dificuldades ainda por causa de sua pouquíssima instrução. Os superiores e professores do seminário consideravam-no um camponês xucro e sem inteligência para conseguir completar os estudos. Por outro lado, Vianney era um belo exemplo de caridade, obediência, vida de oração e fé.

Ordenação
João Maria Vianney só chegou ao fim de seus estudos por causa do seu exemplo de caridade e santidade dentro do seminário, pois, faltava-lhe os dotes da inteligência e do raciocínio lógico para a filosofia e a teologia. Não lhe faltava, porém, a sabedoria que vem do céu. Por isso, a despeito de sua deficiência, ele foi ordenado padre em 1815. Recebeu, porém, um impedimento grave: não poderia exercer o sacramento da confissão. Seus superiores julgavam que ele não teria capacidade de orientar e dirigir a vida espiritual dos fiéis. Mal sabiam eles que estavam diante de um dos maiores confessores de toda a história da Igreja.

Recolhimento
Pe. João Maria Vianney permaneceu ainda três anos no seminário de ?cully. Agora, porém, estava sob a direção de um abade chamado Malley, esse conseguiu a liberação necessária para que o Pe. João Maria Vianney pudesse exercer seu ministério sacerdotal plenamente, inclusive como confessor.

Cura DÁrs
Tão logo conseguiu sua liberação, Pe. João Maria Vianney foi designado vigário do vilarejo chamado Ars-sur-Formans, mais conhecido como "Ars". Todos os padres se esquivavam desta paróquia por vários motivos.
Primeiro porque ela possuía apenas duzentos e trinta habitantes.
Segundo, porque todos ali eram assumidos "não praticantes" e famosos por sua violência. Ars era um vilarejo onde as tabernas viviam abarrotadas e a Igreja estava sempre vazia. Brigas, roubos, rixas antigas e até assassinatos eram comuns por ali. Pe. João Maria Vianney, porém, aceitou a missão na obediência e foi para lá. Por isso passou a ser chamado de o Cura D Ars, expressão que significa "Cura de Ars". A palavra cura, no português arcaico, significa padre ou vigário. Portanto Cura D Ars significa Vigário de Ars.

Chegada profética
Pe. João Maria Vianney chegou em Ars em 1818. Estava só, numa pequena carroça que leveava apenas alguns pertences e livros. Sem saber o caminho exato, viu um menino pastor e pediu ajuda. O menino levou-o até a entrada de Ars. Então, Pe. João lhe agradeceu dizendo: "Tu me mostraste o caminho de Ars, eu te mostrarei o caminho do céu". Hoje, na entrada da cidade, foi construído um monumento que lembra este belo encontro.

Situação invertida
Treze anos após a chegada do Pe. João Maria Vianney, a situação em Ars era completamente outra. A igreja estava sempre cheia e as tabernas vazias. A violência cessara, as rixas acabaram, a bebedeira e consequentemente a violência se tornaram coisas do passado. A postura de homem de oração, caridoso, profeta e também severo quando era preciso, transformaram a triste realidade de Ars. O vilarejo então começou a ficar famoso por causa do padre santo que vivia ali.

O maior confessor da história
O povo começou a perceber que confessar-se com o Cura D Ars, além do sacramento da confissão que, por si só, é uma graça infinita, era também um momento de discernimento de vida, de orientação, de verdadeira transformação. As orientações dadas pelo Pe. João nas confissões eram verdadeiras dádivas vindas do céu para curar os corações feridos, restabelecer a esperança, o amor e a confiança em Deus. Aquele que tinha sido impedido de administrar o sacramento da confissão, torna-se o maior confessor da história. Diariamente filas enormes se formavam diante do confessionário da igreja e o Pe. João passava horas a fio atendendo a todos, muitas vezes sem comer. Por muitas e muitas vezes, passou dias sentado no confessionário atendendo os corações aflitos em busca de orientação e libertação. E todos saiam transformados daquele confessionário.

A Europa em Ars
A fama dos dons e da santidade do Cura D Ars se espalhou pela Europa. Por isso, muitos viajavam de longe para Ars a fim de ver o cura e confessar-se com ele. Para isso, estavam dispostos a esperar horas ou dias inteiros. Assim, o pequeno vilarejo tornou-se um grande centro de peregrinações. Com isso, o vilarejo que não tinha possibilidades de atender tanta gente, teve que ir se transformando para atender a demanda da nova realidade. Os antigos donos de taberna passaram a ganhar a vida transformando suas tabernas em hospedarias e depois em hotéis. E Ars tornou-se uma cidade por causa do Pe. João Maria Vianney.

Exemplo de vida e de doação
Padre João Maria Vianney fazia suas próprias refeições e os serviços domésticos. Vivia em oração. Alimentava-se pouco, dormia apenas três horas por dia para dar conta de toda atividade que tinha como vigário. Dedicava tempo para socorrer os pobres em suas necessidades, fazendo todo o possível por eles. Quando recebeu herança por parte de seu pai, gastou tudo com os pobres. As almas aflitas encontravam em suas orientações norte, a esperança e o consolo.

Morte - Corpo incorrupto
Sem descansar um dia sequer, o Santo Cura D Ars faleceu serenamente, consumido pelo cansaço. Era o dia 4 de agosto de 1859 e ele tinha setenta e três anos. Mesmo em vida era tido como santo por todos. Após sua morte passou a ser venerado e o seu túmulo virou centro de peregrinação. Por causa dos trâmites relativos à sua beatificação seu corpo teve de ser exumado. Para surpresa geral, foi encontrado incorrupto e hoje pode ser visto na igreja de Ars, que hoje é famoso centro de peregrinação na Europa. São João Maria Vianney foi canonizado pelo Papa Pio XI, no ano de 1925. Foi proclamado padroeiro dos sacerdotes e no dia de sua festa passou a ser celebrado o Dia do Padre.
(Transcrito do Google)


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