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07/Ago/2021 - 22:01:49
A simplicidade
Nivaldo Sernaglia
Há uma história que lembra muito Chico Xavier, que se dizia um cisco.
Num Centro Espírita de Minas Gerais, havia um determinado senhor que se postava sempre na última fileira, na noite de quinta-feira. E nessa noite, normalmente, acontecia uma palestra espírita, com assuntos evangélicos. Os doutrinários deixavam para os cursos de mediunidade.
Ele versava uns 65 anos de idade e era portador de uma mediunidade até então desconhecida ?? desdobrava-se espiritualmente e de maneira inconsciente. O mais interessante é que ele mesmo não sabia disso. Era como a maioria dos trabalhadores simples: ignorante das coisas espirituais!
Toda tarde de quinta-feira, dia de faxina no Centro, lá estava para ajudar na limpeza. Ele varria o chão e depois limpava as cadeiras uma por uma - cerca de duzentas - passava alcool em todas, após uma bucha com detergente para tirar o pó acumulado da semana. Em seguida, alinhava as mesmas nos seus devidos lugares.
Dava uma respirada e continuava feliz no que fazia. Colocava água na moringa para molhar a goela dos palestrantes e não esquecia da toalha limpa na mezinha com flores ao lado. E mais feliz ainda enchia os referidos copinhos de água fluida para serem tomados ao final dos trabalhos. E isso ocorria após os passes magnéticos-espirituais serem dados pelos médiuns da casa.
Outra coisa que o nosso velhinho não sabia era que a sua alegria contaminava o ambiente. E que essa felicidade que irradiava, era compartilhada pelos Espíritos Simples que preparavam o banquete espiritual da noite. Ao final das contas, eram muitos os que ali estavam...
As pessoas do Centro não davam muita atenção para aqule franzino senhor, mas o respeitavam por ser ele um serviçal da casa. Ele nada pedia e também nada recebia em troca dos serviços prestados. Era agradavelmente silencioso e de muito bom coração...
Os que frequentavam a reunião não gostavam de se sentar perto dele por causa do cheiro de suor que dele exalava. Como resolver esse impasse se não tinha como tomar banho antes?
Daí que os perfumados reclamavam do velhinho que nem roupas limpas usava. Com isso a diretoria o colocava na última fileira... E ela tinha bons motivos para deixá-lo participar do evento evangélico, pois ali no seu cantinho ele vibrava muito. Era o maior receptor de energias positivas dos encarnados da assembléia... Ele orava intensamente e procurava JESUS com muita convicção e energia. E essa energia pura que dele emanava, dava sustentação aos ensinamentos da noite. A irradiação dele era muito superior às dezenas de pessoas presentes. O seu dedobramento espiritual e os fluidos que espargia, davam respaldo sobre todos os assistidos. Só que o seu trabalho anonimo e silencioso era somente reconhecido pela Espiritualidade da casa.
? como Eurípedes Barsanulfo assevera: ??A humildade deve fazer guarida no nosso coração, aninhando-o com o desejo sincero de ajudar a todas as criaturas. E sem se engrandecer e sem a mínima ostentação.?