São José do Rio Pardo, ,

07/Ago/2021 - 22:03:35

? tempo de mudança

Redação

DANIEL CARLOS ESTEVÃO




Falar sobre a pandemia do COVID-19 já se tornou algo cansativo. Nos últimos dois anos nossas vidas orbitam em torno desse problema. No entanto, mesmos nas maiores tragédias vividas pela humanidade, como as pandemias e as guerras, paradoxalmente, avanços acontecem. O esforço no combate ao problema acaba por produzir soluções e tecnologias interessantes, que por vezes são incorporadas à vida das pessoas. E é sobre isso que eu convido os amigos leitores a refletir.

Eu poderia citar inúmeros exemplos de mudanças que a pandemia vem provocando, porém, nos limites desse artigo, falemos sobre comunicação. Um fenômeno novo, nos últimos tempos, foi a mudança nas formas de comunicação, mudança esta imposta pelo distanciamento social, necessário para combater a disseminação do vírus. Os bons e velhos encontros em família, entre amigos, nos botecos da vida, que aos poucos tentam se reincorporar às nossas rotinas, no auge da pandemia, foram substituídos, entre outras coisas, pelas chamadas de vídeo dos aplicativos de redes sociais e outros recursos até então desconhecidos pela maioria.

Para os mais jovens, amigos da tecnologia, foi um movimento fácil, no entanto, para um grande número de pessoas, em certa medida, descoladas dessas modernidades, significou uma entrada forçada num universo paralelo. Tomo como exemplo, a minha mãe. Dona Maria, antes da pandemia resistia ao uso do telefone digital, com teclado na tela, preferia o aparelho com teclas analógicas e letras grandes. Não estava nem um pouco interessada em zap zap, facebook, messenger ou qualquer coisa do gênero, achava tudo perda de tempo. Contudo, com a nova realidade, viu-se obrigada a rever seus conceitos. Passou a usar o whatsApp (no tablet), aprendeu a fazer chamadas de vídeo, a participar dos seus encontros religiosos via google meet. Aprendeu a se comunicar de forma diferente, depois de 70 anos de vida.

As escolas se viram obrigadas a adotar o ensino à distância, a estabelecer novas formas de comunicação com seus alunos e familiares e conviver com todas as implicações decorrentes disso. Milhões de crianças e jovens, mundo afora, terão seu desenvolvimento comprometido, no entanto, tudo indica que muito desse novo formato de educação permanecerá.

Não vivemos sob as mesmas forças de antes. A pandemia escancarou as desigualdades que assolam nosso país. O cenário que se apresenta no Brasil contemporâneo nos inquieta, presenciamos cenários trágicos, de ebulição política, social, econômica e também educacional. Momentos que nos fazem questionar: "o que será do país e de nós" em meio à essa crise que se instalou nos últimos tempos?

No entanto, não é tempo de desesperança, a história mostra que os momentos trágicos, trazem em seu bojo, tempos de transformação.

Sob esse prisma, tenhamos esperança de que dias melhores virão, que essa crise vai passar e que tudo o que hoje vivemos, não passará de história.


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