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21/Ago/2021 - 20:43:57
O traslado dos restos mortais de Euclides da Cunha
RedaçãoRACHEL BUENO
No ano de 1982, durante a Semana Euclidiana, São José do Rio
Pardo recebeu os restos mortais do escritor Euclides da Cunha e de seu filho
Euclides da Cunha Filho, o Quidinho. Fui testemunha desse movimento que
envolveu toda a cidade, pois participava da minha terceira Semana Euclidiana
como maratonista, representando minha cidade, Campinas.
A movimentação era assustadora, pois os restos mortais eram trazidos do cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, por seus descendentes: netas, bisnetos e tataranetos, que atraiam a atenção dos rio-pardenses.
Joel Bicalho Tostes, casado com uma das netas, era o representante oficial da família e designado por ela a tomar as decisões sobre assuntos que envolviam a memória do escritor. E foi Joel quem solicitou para que o cortejo com os restos mortais desviasse de seu trajeto previamente traçado, a fim de que passasse em frente à casa do professor Márcio José Lauria, que se encontrava afastado das atividades naquele ano por ter contraído uma hepatite.
Joel continuou a frequentar São José do Rio Pardo e aqui fez grandes amigos, como o dr. Oswaldo Galotti e em uma das vezes que esteve na Semana Euclidiana recebeu o título de Cidadão Rio-Pardense, quando nos contou como se deu a decisão de optar para que os restos mortais do escritor e de seu filho passassem aos cuidados dessa cidade definitivamente.
Ao ser procurado há anos, pelos responsáveis pela Casa Euclidiana e pelo movimento euclidiano, para que a família Cunha levasse para São José os restos mortais, Joel decidiu junto com a família sondar o movimento euclidiano, com a finalidade de saber se a cidade fazia jus.
Entre o final dos anos de 1970 e início dos anos 1980, Joel e a família foram a São José do Rio Pardo, anonimamente, durante uma Semana Euclidiana, hospedaram-se no Hotel Paulista e acompanharam todas as atividades e festejos.
Naquele tempo, os ciclos de estudos aconteciam no auditório da antiga Casa Azul, onde hoje funciona a Biblioteca Monteiro Lobato e a família ficava sentada nas últimas fileiras acompanhando tudo. Foi a partir daí que Joel tomou, junto com os demais membros da família, a decisão de trasladar os restos mortais de Euclides da Cunha e seu filho Quidinho, para a cidade de São José do Rio Pardo, pois entendeu que ali rendia-se uma grande homenagem ao escritor e sua obra.
Passados mais de 30 anos, uma das tataranetas de Euclides da Cunha e filha de Joel, Marilu da Cunha Tostes de Andrade, que era criança e estava no grupo na época da primeira vinda da família a São José, confirmou-nos essa história.
Hoje Joel e Marilu não se encontram mais entre nós, mas deixaram para a continuidade desse trabalho de guardiões da memória seus descendentes, que participam anualmente da Semana Euclidiana como a Camila da Cunha, neta do Joel e a Maria Eduarda, hoje com 8 anos, neta da Marilu, bisneta de Joel e tetraneta de Euclides da Cunha.