São José do Rio Pardo, ,

21/Ago/2021 - 21:02:35

A idade chega e, com ela, vem o esquecimento

Felipe Quessada





Sabemos que quando planejamos uma pescaria é necessário levar em conta as condições do tempo e, principalmente, fazer um check-list do material que usaremos, como exemplo: roupas de cama, toalhas, travesseiros, roupas adequadas para proteger do sol e da chuva, sabonetes, pasta e escovas de dentes, e assim por diante.

Era véspera de feriado para os rio-pardenses (aniversário de morte de Euclides da Cunha, ou Euclydes da Cunha, já não sei qual é o certo). Passava das 9h00 quando cheguei a um ponto de táxi da Praça da Matriz e intimei o amigo Carlão (que ali presta seus serviços como motorista) para uma rápida pescaria no rio Jacaré Pepira, Pousada Corvinaré, do amigo Paulinho.

Carlão refletiu por alguns segundos e me perguntou: ??Qual o mês e o dia??. Sem vacilar, disse: ??Hoje, logo mais, às 18h00?. Carlão novamente deu uma parada, olhou pra cima, pra baixo, pros lados, coçou a cabeça, limpou as lentes dos óculos, deu uma fungadinha e respondeu: ??Quantas latinhas de cerveja devo levar??. Senti firmeza na sua resposta e já acionei por celular o também companheiro Mário Rui Silveira, que após receber a intimação ficou calado por alguns segundos, até que precisei gritar ao telefone, indagando-o se ele ainda estava na linha; aí veio a resposta: ??Tudo bem, Felipe, só tem um problema, pode ser às 18h30??.

Logo que anoiteceu, já a bordo da caminhonete, demos uma paradinha obrigatória no Vitinho (Festa & Cia), compramos algumas caixas de cerveja em lata, um quilo de açúcar, uma pedra de gelo e uma pizza, nada mais.

 

A IDADE ? A CULPADA

Chegamos à pousada. Eu e o Mário fomos providenciando o que comer e beber, pizza e caipirosca, com vodca de um resto de garrafa que o Mário nos presenteou. Enquanto isso o Carlão se apressava em arrumar seu cafofo de dormir, quando começou resmungar; estava  indignado por ter esquecido de colocar na mala seu inseparável travesseiro de pena de ganso. Mário dava risadas do amigo Carlão e o consolava, recomendando que não ficasse aborrecido, pois também teria esquecido o limão e o boné, e eu a tolha de banho.

 


RONCAR ? BOM, MAS ATRAPALHA

Por medida de economia, alugamos um chalé de um quarto, e foi ali que os ??três patetas? nanaram por duas longas noites, ao som do ronco do Mário Rui. Foi difícil suportar o estridente barulho, ao ponto de até o cachorro, que estava do lado de fora, uivar e correr de um lado pro outro, assustado ou incomodado com o ronco do Mário Rui. 

 

FOI VERDADE!

No segundo e último dia de intensa pescaria, poucos peixes foram fisgados e devolvidos a água, e sem fotografias, porque esquecemos a câmera na pousada. Resolvemos navegar rio acima esperando mudar a sorte. Rompemos quilômetros em um barco de alumínio de cinco metros, empurrado por um motor de 15 Hp.

Acabei batendo a rabeta do possante em uma pedra submersa. Com o tranco, o pino que dá sustentabilidade ao motor se quebrou. Para tentar esquecer mais esse prejuízo, já estava quase escuro quando Mário lançou uma forte linha acoplada a uma grossa vara na água ?? porque a esperança é a última de morre. Mal passou um minuto para sentir um puxão. Depois de muita luta, Mário recolheu a linha e se surpreendeu ao dar de cara com um Mandi no anzol. O bicho era grande demais. Não tive dúvidas; tirei o ferrão do ??bigodudo?? e o coloquei no lugar do pino do motor. Coloquei a máquina pra funcionar e descemos para a pousada sem nenhum problema. Esse ??pino de ferrão?? o Mário guarda até hoje ?? é recordação do maior peixe pego nessa pescaria, cujo bigode foi nossa salvação.



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