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21/Ago/2021 - 21:14:06
Memória da Cidade, 21 de Agosto de 2021
Redação
Capelinha do Rosário nos anos 1950, em terras da Família Raddi, estava localizada onde hoje está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, na Vila Formosa
A Farmácia Tarquínio, de Ismael Tobias e depois Dário
Tobias, recebeu este nome em homenagem ao farmacêutico Tarquinio Cobra Olyntho.
Funcionou por décadas na rua Treze de Maio, esquina com a rua Dr. João Gabriel
Ribeiro. Uma moderna drogaria ocupa seu espaço hoje
A destruição do pomar do Bonsucesso
??(...) Lá no Bonsucesso, quando a Siqueira Campos era mais um longo e empoeirado caminho rural do que via urbana, havia muitos pomares. Um deles, inacessível às incursões dos meninos que iam à escola de manhã e tinham a tarde toda para as mais convidativas invenções. Não se dizia: ??Vamos furtar?, ??Vamos roubar?, mas ??Vamos buscar frutas?, porque vigorava entre nós, apoiados intuitivamente no direito natural a serena certeza de que laranjas, bananas, mexericas não podiam ter donos. Frutos da terra haveriam de pertencer a todos, a quem as apanhasse nos pés e as consumisse ali mesmo, matando a sede, a fome, satisfazendo o prazer de tê-las tão disponíveis, à mão.
Inatingível aquele pomar não só por causa da cerca de nem sei quantos fios de arame farpado, mas pela presença de uns cachorros, nada desses assassinos profissionais de agora, apenas vira-latas fiéis, competentíssimos no cumprimento do primário dever de vigiar a propriedade do seu dono. Se moleques não podiam entrar assim sem mais nem menos e atacar laranjeiras, limeiras e moitas de cana-caiana, moleques não entravam, mesmo. Os cachorros aplicavam-lhes os dentes num sensível lugar ?? os calcanhares dos pés descalços.
Foi, pois, surpresa o convite insistente, extensivo a todas as pessoas disponíveis: que entrassem livremente e logo no pomar, porque tudo aquilo ia ser arrasado. Já estavam por lá uns tantos homens armados de machados, foices, enxadões, picaretas. rastelos, prontos ao corte das árvores e à remoção de seus restos. Desprovidos de sacolas e bornais, só coube aos beneficiários de tanta gentileza encher os bolsos e deitar o maior número possível de frutas entre a barriga e a camisa, fortemente amarrada à cintura, como se fosse improvisado saco que fazia a todos atarracados e curvados por causa de tanto peso. Ao fim de algumas horas, o belo pomar se transformou num campo de perdida batalha cheio de escombros e de buracos.
Isso faz muito, muito tempo. Ou me engano redondamente ou o pomar arrasado ficava nas proximidades do atual estádio do Bonsucesso EC. Foi então que abriram ruas perpendiculares à Siqueira Campos, em direção ao córrego. Criou-se um bairro pequeno, perto de tudo e muito sossegado. (...)?
O caso da placa desaparecida
Poucas pessoas deram atenção quando o pedreiro português Manoel de Souza Rosa resolveu ofertar a São José do Rio Pardo uma grande imagem do Cristo Redentor que seria colocada no alto do morro. Passou ele mais de seis anos trabalhando aplainando o pico da montanha. Com suas mãos removeu e cortou as muitas pedras do local. Somente com o lugar preparado foi que alguns rio-pardenses resolveram se envolver com a questão. Criou-se então uma comissão pró-construção que reuniu igreja, comerciantes e população, mas foi Manoel Rosa quem pagou a estátua de cimento branco com o próprio dinheiro. A inauguração oficial do monumento foi parte das cerimônias do 39º Congresso Mariano da Diocese de Ribeirão Preto, e contou com a presença do bispo. No dia 19 de novembro de 1949, em missa campal presenciada pelas autoridades e numeroso público, após a benção da imagem, foi inaugurada uma placa com os nomes do cardeal, do bispo, do padre, do prefeito, todos os membros da comissão e lá no finzinho da lista o nome do idealizador.
Alguns rio-pardenses, inconformados de que Manuel de Souza Rosa figurasse em ultimo lugar, propuseram que se fizesse uma placa em separado, prestando-lhe justa homenagem. Assim foi feito, mas algum tempo depois a placa maior, com todos os nomes, desapareceu misteriosamente, ficando apenas a de Manuel Rosa. Não tiveram coragem de fazer uma outra. Dizem que a placa descansa no fundo do Pardo.