São José do Rio Pardo, ,

28/Ago/2021 - 17:06:22

Os percalços da vida

Redação




Nunca foi tão difícil escrever como neste momento complicado por qual estou passando... Venci a Covid, agora estou em São Paulo, dando suporte a uma filha e neto que passaram por uma grande cirurgia.

Um dos meus netos precisou fazer transplante de fígado e, para quem reclama que ser mãe dá muito trabalho, quero contar que minha filha foi a doadora e para isso precisou fazer uma rígida dieta por oito meses, para perder dezenas de quilos, capacitando-se, assim, a doar 1/3 do próprio órgão. Para cuidar de minha filha, que se recupera, e da irmã gêmea desse neto, estou com eles aqui em São Paulo, cidade que ultimamente não suportava por mais de três dias.

Mas lá se vão 24 dias de UTI infantil (escrevo na quarta-feira) e como os transplantes são realizados no AC Camargo, hospital de referência no tratamento de câncer, foi necessário conseguir a coragem que nunca tive para ver situações que nunca desejei presenciar!

No entanto, estou francamente impressionada com o atendimento do corpo médico e de enfermagem dessa instituição, e mais ainda com os aparelhos que ela possui. Só a máquina de RX parece estar anos-luz à frente daquela por qual normalmente passo. Então fiquei curiosa para conhecer a história desse hospital, que é bastante interessante.

O nome  AC Camargo se deve ao cirurgião Antônio Cândido de Camargo, que presidiu a Associação Paulista de Combate ao Câncer,  embrião dessa instituição atual, até a sua morte, em 1947. Camargo foi professor responsável pela cátedra de Clínica Cirúrgica desde a fundação da Faculdade de Medicina, de 1913 a 1934, especialidade seguida por seu aluno Antônio Prudente.   O primeiro havia também participado da equipe de Jacques Reverdin, na Suíça, um dos grandes cirurgiões do século XX.

No Brasil, Camargo foi pioneiro em neurocirurgia e trouxe contribuições importantes no tratamento de tumores de cérebro e de medula; foi ainda o grande mentor do fundador do Hospital do Câncer, dr. Antônio Prudente. Este último conhecera, em uma viagem a Berlim, a jornalista Carmen Annes Dias, filha do chefe da comitiva brasileira e médico de Getúlio Vargas. As afinidades entre eles fizeram com que se casassem logo depois e a jornalista foi a grande companheira na luta contra a terrível doença, criando, em 1946, a Rede Feminina de Combate ao Câncer. Ela mobilizou o povo de São Paulo para a construção do hospital, a fim de arrecadar fundos e atualmente o AC Camargo ainda segue o legado desse casal: a pesquisa científica e a busca pela excelência, somadas ao olhar humanitário dela.

A pedra fundamental do Hospital do Câncer foi colocada no bairro da Liberdade, em São Paulo, em 1948, em uma região que era de chácaras, próxima à linha de bonde da Vergueiro. Parte do terreno era um charco onde descansavam os cavalos das charretes da chácara Jambeiro Costa.

O hospital, projetado pelo arquiteto Rino Levi, formado em Roma e Milão, e construído com o dinheiro da população, foi inaugurado em 23 de abril de 1953, sem nenhuma ligação com as instituições de saúde oficiais e sem respaldo financeiro de nenhuma organização.  Hoje o antigo Hospital do Câncer tornou-se o AC Camargo Cancer Center, com várias e enormes unidades, agora considerado também de excelência em transplantes.

Concluindo, as saudades da terrinha são grandes e espero que tudo corra bem para que logo esteja de volta a São José, retomando a vida que deixou de ser normal desde o início da pandemia!

 

 

 

 


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