São José do Rio Pardo, ,

09/Out/2021 - 21:56:21

Criança em qualquer situação!

Maria Olívia Garcia




Criança é sempre criança, esteja ela em casa, na escola, nas ruas, em locais violentos ou hospitalizada - e é para esta última minha homenagem deste próximo Dia das Crianças. 

Quando pensamos em criança, logo nos vem à mente a imagem de um infante saudável, cheio de energia, entregue às brincadeiras próprias da idade, porém há o outro lado da infância: aquele em que se encontram os pequenos cuja trajetória foi interrompida por alguma doença crônica e por isso vivenciam um infindável vaivém em hospitais.

Felizmente algumas dessas instituições possuem uma ala infantil menos assustadora, com desenhos nas paredes, peças coloridas e enfermeiros treinados para lidar com esses pequenos que tão cedo conhecem o sofrimento! Mas há um profissional também importante para a recuperação da criança hospitalizada: o pedagogo hospitalar.

Neste ano conheci uma pedagoga que atua na unidade do AC Camargo da Rua Tamandaré, em São Paulo, e pude observar como o trabalho dela faz diferença na vida daquelas crianças que passam dias e até meses ali. Professora já aposentada, ela tem um trabalho diversificado, adaptado às necessidades dos pacientes, chegando a ensinar até um pouco de italiano (que ela mesma está aprendendo) àqueles que demonstram interesse, ou seja, ela busca oferecer uma atividade que consiga motivar as crianças. E os pequenos, mesmo não estando bem de saúde, querem ir à brinquedoteca, onde desenvolvem essas atividades.

Então, para este Dia da Criança, quero deixar aqui o meu apelo aos diretores de hospitais da região: reservem um espaço lúdico para os menores hospitalizados. Contratem um pedagogo hospitalar eficiente, que saiba tratar os pequenos com amor e saiba motivá-los para superar o medo da doença e do ambiente hospitalar - esta é a melhor contribuição que se pode dar ao o restabelecimento da criança e também é uma forma de amenizar o trauma que o sofrimento precoce deixa nela.

Conforme pesquisa desenvolvida por Lima e Chahini (2020), a experiência de estar doente, ir ao médico e ficar internado são processos estressantes e traumatizantes para a criança; porém, se ela for surpreendida por um atendimento lúdico na unidade de saúde, poderá exteriorizar seus medos e aliviar a ansiedade.

Quando está em um leito de hospital, segundo Camon (2005), a criança passa por um processo de despersonificação, materializando um sentimento de que é estranha a si mesma, uma ideia de que seu corpo ou parte dele já não são a mesma unidade, mas através do lúdico ela pode se manter psicologicamente pronta para resistir aos desafios causados pelo ambiente hospitalar.

Portanto proponho que pensemos, neste Dia da Criança, naqueles pequenos que não estão sequer podendo brincar com os amigos, pois se encontram hospitalizados, muitos até sem forças para caminhar pelo quarto, ou naqueles que se encontram adoentados em casa, à espera de uma solução para o seu problema de saúde. São muitos à espera de uma vaga para tratamento em instituição especializada e também são longas as filas à espera de transplantes.

Mas só pensar não basta, é preciso que nos unamos para conseguir que cada hospital tenha um espaço lúdico e um pedagogo, para que esses pequenos possam ter alguns momentos de alegria em meio aos momentos dolorosos da vida, que para eles chegaram cedo demais!

Um feliz Dia das Crianças a todos os rebentos desta cidade e, em especial, aos meus netos: Andreu, Marina, Otávio e Maria Amélia!


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