São José do Rio Pardo, ,

23/Out/2021 - 19:12:19

Beijou a boca da Piapara e foi mordido

Felipe Quessada




Dando continuidade à matéria publicada no início deste mês, onde os pescadores Osmar, Ciça e Neto Nascimento estiveram pescando no rio Pardo, a poucos quilômetros antes dele desaguar no rio Grande, norte do Estado de São Paulo, município de Jaborandi e se hospedaram na Pousada do Jaú. Muitas coisas aconteceram em poucos dias de pesca e, em conversa com o Neto, acabei puxando sua língua e ele me contou o que seu pai Osmar não teria me informado...

 

ACREDITE SE QUISER

 

Apesar do título induzir a dúvidas, garanto que vou contar é pura verdade.

Os ribeirinhos que pilotam os barcos no Pardo, cultivam a lenda que quando um pescador pega o seu primeiro peixe em uma pescaria, é de bom grado que esse seja beijado na boca e devolvido ao seu habitat, com isso, muitos outros peixes da espécie serão fisgados, principalmente se esse primeiro for um troféu. Explicam eles que, o peixe ao ser beijado na boca e solto, fica imensamente grato ao seu predador e com isso, para retribuir o favor, traz para o anzol do pescador um enorme cardume da mesma espécie, fazendo com que a pescaria torna-se abundante.

O amigos Osmar e Ciça são religiosos e em se tratando de fazer o bem ao próximo e também às outras criaturas do Grande Arquiteto do Universo, eles não medem esforços.

Passava das 8h00, após um café reforçado, lá estavam Osmar, Ciça e o piloteiro navegando e pescando nas águas do nosso rio Pardo, quando Osmar deu um grito assustador: "Fisguei, Ciça, é grande, é forte e já garanti a mistura do almoço, o cantor Roberto Carlos está enganado, dizendo ser o cara, esse cara sou eu".

Ciça, com toda tranquilidade e meiguice que Deus lhe deu, disse: "Calma, meu querido, eu sei que o cara é você, mas não se esqueça, para que possamos pegar mais peixes, é necessário que você cumpra a lenda, ou seja, dê um beijo na boca dessa graúda Piapara e a devolva à água".

Osmar pegou nas mãos aquele bonito peixe, olhou pra sua amada e após alguns segundos de admiração, não deu outra, fez um biquinto, fechou os olhos e em estado de êxtase partiu para o beijo na boca...

Qual não foi sua surpresa, o peixe retribuiu-lhe o carinho, com um pouco mais de intensidade, dando-lhe uma forte mordida nos lábios, segurando-os até sangrar.

O final foi feliz, o peixe foi devolvido ao seu habitat, Ciça fisgou vários outros peixes e o "cara" ficou com os beiços inchados pelos resto da pescaria.

 

CONVERSA DE BAR

Em uma dessas tardes, estava eu e alguns amigos tomando umas cervejas no bar do Gordo, ao som da bela voz do amigo e cantor José Salete, que completou mais um ano de vida este mês e dos também amigos Dozinetti e Nego.  Entre uma prosa e outra um deles contou:

"A minha esposa não gostava que eu ingerisse bebidas alcoólicas, em especial a cachaça. Em todos os lugares que nós íamos, ela sempre destacava que eu não bebia bebidas fortes, somente uma cervejinha. Mas, mal ela sabia que eu tomava todas, isso mesmo, eu escondia um garrafão de pinga sobre a laje da minha casa, que era protegida pelo telhado. Todos os dias, quando eu chegava em minha casa, ia direto para o chuveiro e logo depois ia assistir ao noticiário. Em dado momento eu mexia no UHF (aparelho antigo que sintonizava a imagem da TV), com isso eu pedia a ela que ficasse de olho na televisão, enquanto eu ia até o telhado e mexia na antena (pra direita?, prá esquerda?...), com a intenção de tomar umas duas e "sintonizar" a TV. Tudo correu muito bem por vários anos, sem que ela desconfiasse da minha "trapaça", porém, em um dia chuvoso, acabei por tomar umas a mais e escorreguei na escada caindo de uma altura de quase três metros, abraçado no garrafão. Este não sofreu nada, mas eu quebrei o braço direito e estou dormindo até hoje no sofá da sala. Não sei de quem foi a culpa, da TV, do UHF, da escada, da chuva ou das pingas a mais que bebi".


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