São José do Rio Pardo, ,

30/Out/2021 - 21:14:13

Memória da Cidade, 30 de Outubro de 2021

Redação




AAR ?? Na desabitada Vila Pereira, parte das instalações da Associação Atlética Riopardense cercada por muro. Além da piscina, poucas benfeitorias: portaria, vestiário e uma quadra de basquete. A rua que cruza a foto é a Dona Presciliana Pereira da Silva, nome da proprietária das terras que foram loteadas dando início ao bairro. No final da rua, a Igreja de São Roque e o Mosteiro. A foto é dos anos 1950.

 

COL?GIO DAS IRM?S ?? Alunas do Ginásio Santa Inês, das Filhas de Nossa Senhora de Monte Calvário, antes de um desfile da Semana Euclidiana, nos anos 1960, na escadaria da escola. Na frente: Beth Torres, Irmã Terezinha e Flávia Penna. Atrás, Beth Flamínio, Selma Ferreira Pinto, Nádia Draib, Rosa João, as três seguintes são de outras cidades e Ester Cassucci. Na última fila estão Stella Bittencourt, Neusa, Rosa Agliussi, Maria Lucia Landini, Heloisa Braghetta, Ana Maria Maríngolo e Helenir Lodi. As outras eram internas, algumas de Tambaú.

 

EQUIPE DE BASQUETE DA AAR ?? Heloísa Junqueira, Maria Helena Abichabcki, Maria Helena Xavier, Zulmar Rondinelli, professora Mary Abichabcki, Josefina Junqueira (ajoelhada), Vera Rondinelli, Ilza Zanatta e n.i., integrantes da equipe de basquete da Associação Atlética Riopardense, em fotografia de 1947, aproximadamente.



Incidente jornalístico

No tempo do Segundo Reinado, um desses ??pastéis? desopilou muitos fígados.

Prestigiosa folha do Rio de Janeiro estampou a seguinte notícia:

??O sr. chefe do Gabinete deixou ontem o Ministério, às 4 horas, com duas muletas, recolhendo-se à sua residência?.

Circulando o jornal pela manhã, foi um rebuliço. O imperador manda um ajudante em visita ao ministro. O Senado, por sua vez, nomeia comissão para formular a S. Exa. votos de breve restabelecimento. Parlamentares sem cor partidária têm pressa em saber como passava o ilustre político, provavelmente acidentado.

Lendo a notícia, estarrecido, o chefe do Gabinete pediu providências junto ao jornal, para a necessária retificação. Deixara ele a repartição em perfeita saúde, portando duas ??maletas? e não duas ??muletas?.

No dia seguinte, o jornal divulgou retificação nos seguintes termos:

??A propósito de nossa notícia de ontem, envolvendo o digno sr. chefe do Gabinete, temos a informar que S. Exa. deixou o Ministério, anteontem, à tarde, não com duas muletas, mas, sim, com duas mulatas?...

 

(Citado pelo jornalista rio-pardense Honório de Sylos em seu livro ??Gente & Fatos ?? Relembranças jornalísticas?, 1988, Ibrasa)

 


Dona Olga e a criação da Creche São Paulo


 

Alexandra Olga Pourrat Campos, a dona Olga, é uma importante personagem da história de São José do Rio Pardo.

Parteira diplomada e pertencente ao corpo clínico da Santa Casa, foi a primeira vereadora da Câmara Municipal, eleita nas disputadas eleições de 1959 com 145 votos. Nesta eleição, foi a segunda dos três vereadores eleitos da UDN, e a nona entre os quinze novos ocupantes da Casa de Leis.

Tomou posse em 1960 e um ano depois, com muitas dificuldades, consegui colocar em funcionamento uma antiga aspiração sua - uma creche para atender crianças que necessitavam de um lugar e alimentação enquanto suas mães trabalhavam. A assistência à criança e à mãe pobre foram suas prioridades como vereadora.

 Idealizou uma fundação, depois transformada em associação, que manteria, a princípio, uma creche e um jardim da infância. Porém, sonhava mais alto, também com um "lar" para crianças órfãs e uma instituição para receber menores excepcionais.

A creche, que recebeu o nome de São Paulo, foi instalada, primeiramente, no velho e desocupado Casarão do Artese, na praça Barão do Rio Branco, que estava em péssimas condições. Dona Olga mobilizou políticos e empresários, conseguiu recursos e reformou parte do prédio cedido pelo jornalista Paschoal Artese para acomodar o berçário, refeitório, sala de brinquedos e outras instalações da entidade.

Para manter as atividades, dona Olga contava com a ajuda de fazendeiros que doavam leite, das muitas amigas que promoviam eventos para angariar fundos, e até dos comerciantes do Mercado Municipal, que cediam legumes que eram transformados em rica sopa. Suas economias pessoais também eram aplicadas na entidade.

Depois de instalada a creche, teve início o difícil trabalho de se conseguir verbas para a construção de um novo prédio da Creche São Paulo. A Associação Rio-Pardense de Assistência ao Menor (a ARAM) conseguiu finalmente personalidade jurídica e, depois de muita burocracia, conseguiu firmar convênio com o Estado.

O primeiro terreno doado pela Prefeitura foi depois trocado pelo atual, na praça Nossa Senhora de Lourdes, ao lado da Gruta, onde foi construído um moderno edifício.

Dona Olga não viu o novo prédio. Debilitada, sua saúde começou a piorar. Sofreu uma trombose cerebral e permaneceu em coma durante oito dias. O governador do Estado, Adhemar de Barros, que estava na cidade para a inauguração das unidades geradoras da Usina Euclides da Cunha, visitou-a no hospital acompanhado de sua esposa, dona Leonor de Barros. Diante de seu leito de morte prometeram-lhe realizar seu sonho: a construção do prédio próprio da Creche São Paulo.

Importante entidade assistencial da cidade, a Creche São Paulo até hoje continua a ser mantida pela a ARAM, entidade idealizada por dona Olga e que atende a centenas de crianças rio-pardenses. Em suas instalações funciona uma escola de educação infantil da Prefeitura.


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