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24/Dez/2021 - 20:52:49
Mineirinho Paieiro no melhor lupanar de São Paulo
Felipe Quessada
Entre os ouros da pesca esportiva, duas afirmações são comuns: 1ª) Em pescaria, toda regra tem exceções; 2ª) O iniciante sempre pega o peixe maior, a chamada sorte do principiante.
O fato é que todo o pescador tem histórias para contar sobre uma isca mal escolhida, uma técnica improvável ou equipamento não apropriado que acaba resultando em conquista inédita e até mesmo uma aventura bem sucedida. O elemento surpresa, o inesperado, acaba roubando a sena.
Procurei o amigo Renato Capuano (Fecap) e dei alguns puxões em sua língua, com relação a pescaria que ele, Roberto Tonetto, Galego, Sérgio Bicalho (Tripa), Zé Bétio, Enéias, Morgan e Tié Toqueti, vivenciaram em setembro de 2019, quando se hospedaram no Hotel Recando do Dourado.
O hotel está localizado em um ponto estratégico e maravilhoso, a poucos metros do majestoso rio Paraguai. E foi lá que tiveram que ouvir uma história um tanto estranha, contada por um pescador que se apresentou como Mineirinho Paieiro, que, enquanto narrava o episódio, aproveitava para coçar as frieiras dos pés, dar umas tragadas em seu paiero e incessantemente, cuspia pra todo canto, fazendo com que os rio-pardenses ficassem espertos, escondendo seus pés debaixo dos bancos, pois, segundo o Renato, o Paieiro tinha mira certeira:
?? No ano passado eu estive a serviço na melhor casa de São Paulo; e aí aconteceu o inesperado, quando a Madame abriu a porta do bordel e foi logo me perguntando:
?? Que tipo você quer?
?? Eu quero a Verônica, respondi prontamente.
?? Meu senhor, a Verônica é uma das nossas meninas mais caras, eu posso apresentar outra.
?? Não, minha senhora, eu quero a Verônica.
De repente apareceu a Verônica, um espetáculo, um monumento, salto alto, corpete, meias e foi logo dizendo que o valor era de R$1.000,00 por hora. Nem pisquei; tirei o dinheiro que estava escondido no sapato e fomos direto para o quarto, onde passamos uma hora inesquecível e surpreendente, com direito a tudo, tudo mesmo.
No dia seguinte, após uma boa noite de sono, voltei ao lupanar e fui diretamente ao encontro da Verônica, que sem me perguntar absolutamente nada, foi logo pedindo R$1.000,00. Novamente fomos para o quarto e foi um sucesso total. Mal tinha dado a hora, ela não resistiu e me perguntou:
?? De onde você é? Ninguém nunca usou meus serviços dois dias seguidos, porque afinal sou a mais cara da casa.
Meio sem jeito eu respondi:
?? Sou de Guaxupé.
Mas que depressa ela disse:
?? Sério?! Eu tenho uma tia que mora lá!
Aí não teve mais jeito; fui obrigado a lhe dizer que sabia e que foi a sua tia que me pediu para lhe entregar os dois mil reais.