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15/Jan/2022 - 21:46:04
Por uma educação para a responsabilidade
RedaçãoLEIRÃ VALENTIN
Começando 2022, agradeço em nome de todos, que escrevem na coluna Observatório, em especial, ao editor do jornal O Rio Pardo, Luís Trinca Filho por abrir espaço, nesse respeitado periódico, para expressarmos nossos pensamentos, divagações e desejos. Agradeço, também, ao professor Marcos De Martini, pois é ele quem organiza e convida os amigos, para escrever nesse espaço democrático e de partilha de ideias.
O ano que passou não foi nada fácil. Vivemos em um mundo acelerado por mudanças vertiginosas e tal fato me fez pensar na questão da educação para a responsabilidade. As características do poder humano desde a modernidade introduziram mudanças e modificações substanciais na responsabilidade do homem contemporâneo com o mundo em que vive e, sobretudo, com a sobrevivência da espécie humana como um todo.
Passada a era da fé eufórica na capacidade humana de dominar a natureza e de promover o progresso da humanidade, o homem deve se dar conta hoje da insegurança das previsões e da possibilidade de um destino infeliz para a biosfera e para a humanidade. As possibilidades tecnológicas de aniquilação cresceram de tal forma que só uma ética da responsabilidade pode salvar a humanidade da autodestruição.
Segundo o filósofo alemão Hans Jonas, a ciência e a tecnologia são atualmente uma área em que a ação humana se tornou independente de todo controle e desenvolveu uma dinâmica própria que a torna imprevisível, irreversível e incontrolável. Para Jonas, não se pode sacrificar o futuro pelo presente: se a humanidade se preocupar apenas com o presente, o futuro pode deixar de existir. A ética proposta por Hans Jonas inclui a responsabilidade por futuras gerações, ou seja, defende a necessidade de uma ciência com ética.
Diante dos inúmeros desafios a serem enfrentados, a educação por meio da palavra e do diálogo tornam-se instrumentos inseparáveis e necessários para que a humanidade progrida em direção aos ideais de paz, liberdade, justiça social, equidade, democracia, igualdade e solidariedade. Nesse sentido, o aluno pode se apropriar de sua responsabilidade pessoal de pensar, valorizar, dialogar e comportar-se no contexto educacional e social. O diálogo é uma ferramenta fundamental, pois permite estar e transformar-se com o mundo. Valores éticos, políticos, econômicos e culturais são estabelecidos, construídos e transformam a sociedade. Enfim, uma forma de educar para a responsabilidade pode ser constituída na perspectiva da Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente.
A partir disso é possível alfabetizar científica e tecnologicamente todos as pessoas. Uma vez que nossa vida está estruturada e influenciada pela tecnologia, é perigoso ter analfabetismo científico e tecnológico. Em outras palavras, é perigoso para as pessoas não estarem cientes do significado de noções, tais como: poluição do ar, aquecimento global, desmatamento, uso indiscriminado de agrotóxicos, desaparecimento de espécies, uso de vacinas, entre outros, visto que sem conhecer o significado destes problemas e seu escopo, será difícil tomar decisões sobre uma forma racional. Além disso, o fato de conhecer essas questões é uma questão de sobrevivência.
Trabalhando nessa perspectiva, a escola aumenta a conscientização sobre comportamentos destrutivos à vida e promove o cuidado com as condições de vida das gerações futuras e para que a humanidade possa continuar sua sobrevivência na terra.