São José do Rio Pardo, ,

12/Fev/2022 - 17:33:52

Alô, comer o quê? Pacu assado de quem?

Felipe Quessada





Foi exatamente neste momento que João Pedro confessou que quem preparou o saboroso Pacu e o delicioso pudim foi sua esposa Marly. Ruy, eu, professor Sérgio e João Pedro.

Tempos atrás, recebi uma ligação que momentaneamente achei estranha, pois não conseguia identificar a voz da pessoa que estava tentando falar comigo e tão pouco compreendia o que estava dizendo, foi mais ou menos assim:

?? Alô, quem fala, é o Felipe?

?? Sim é ele mesmo, pode falar.

?? ? o seguinte, você quer comer o Pacu assado do João Pedro?

?? Comer o quê? Pacu assado de quem?

Bem, a coisa foi e não demorou muito para que eu descobrisse que quem estava do outro lado da linha era o amigo Ruy Barbosa, que tentava fazer um convite especial, ou seja, um jantar na bela propriedade do também amigo João Pedro Furlan. Não preciso dizer que aceitei de bate e pronto, e logo que anoiteceu lá fui eu encarar um pequeno trecho de estrada de terra que, diga-se de passagem, estava horrível. Lá chegando fui recebido pelo anfitrião João Pedro, que sem delongas foi logo me mostrando o bonito, carnudo e gostoso Pacu assado.

Ali estavam Luís Eduardo Machado João (Lu), Professor Sérgio Jorge, Totonho Ribeiro, Ruy Barbosa e a prosa não foi outra senão as conhecidas histórias de pescadores, como estas que tive que ouvir:

 

ACREDITE SE QUISER

João Pedro já pescou em muitos rios, de várias regiões do país; teve oportunidade de fisgar peixes de várias espécies e tamanhos. Em um dia de pescaria no rio Cristalino, fazenda Pinheiral, cidade Barra do Garça, Mato Grosso, ele teve uma experiência diferente, sendo surpreendido por uma fisgada que fez a linha zunir. Mesmo com toda a sua habilidade e assessorado pelo seu amigo Eduardo Dias Roxo Nobre, veteranos no que se refere a essas aventuras, ele não conseguiu dominar um enorme peixe que supostamente pesava mais de 50 quilos. Depois de muita luta e tendo a sua canoa arrastada por mais de 30 metros rio acima (até a poita foi levada), a grossa linha espatifou, ficando o grande pescador sem fôlego e tendo que mudar de modalidade, passando a usar iscas artificiais e bater os pequenos Tucunarés. Aí sim eles conseguiram embarcar bons peixes.

 

PEIXE-PAU

O pescador que ainda não fisgou um peixe-pau não pode se considerar um verdadeiro pescador, afirma João Pedro. O peixe-pau é o que mais dá trabalho. Quando fisgado, não solta o anzol e não sai do lugar, por mais que o pescador se esforce. Se a tralha for das boas, com muito sacrifício se consegue traze-lo à flor d??água, quando provoca decepções para quem o vê. ? preciso muita paciência para salvar o anzol e devolver esse peixe à água ?? sem contar com a necessária tolerância para aguentar a gozação dos companheiros.

Foi mais ou menos assim que aconteceu com o João Pedro e seu companheiro Mário Furlan, em meados de 1976. O barco mal ancorou e João já lançou linha na água, sem esperar as informações do Mário, que já conhecia o local. Não demorou, fisgou gostoso, vitorioso, sorridente. Passada uma hora de puxa-e-solta, João decidiu pôr em prática seus conhecimentos adquiridos na escola da vida. Botou os muques para trabalhar até que um pedaço de pau viesse à tona, cena que infelizmente o Mário não conseguiu registrar com sua máquina fotográfica, o filme que nela estava já teria terminado, pois no dia anterior capturaram uma bonita Pirarará e um enorme Pirarucu.

Para o João, hoje, fisgar um peixe é um bom presente, principalmente se for o maior deles, ou seja, um troféu. A escassez e a proibição de se pescar certas espécies fez com que mesmo os pescadores mais velhos e profundos conhecedores da arte de pescar passassem a ter mais respeito pela natureza, fazendo da atividade simplesmente um esporte ?? curtir a fisgada, admirar e fotografar o exemplar e, em seguida, devolvê-lo à água, a não ser se for para fazê-lo assado e recheado com farofa, como este que foi feito e que esteja dentro das normas legais permitido por lei (peso e medida).